Edição 43 - janeiro 2010



Com o desenvolvimento de tecnologias nacionais, integração de equipamentos domésticos passa a ter maior número de projetos

Nos dias atuais, a tecnologia está presente em praticamente todos os lugares, seja em casas ou nas empresas. Equipamentos e sistemas com altos níveis de tecnologia incorporada, como celulares e computadores de última geração, tornaram-se itens indispensáveis na vida de bilhões de pessoas em todo o mundo.

A tendência é que cada vez mais as soluções tecnológicas passem a funcionar de forma integrada, para facilitar as atividades do dia a dia. Isto significa que várias funções poderão ser controladas de modo inteligente, tanto individualmente quanto em conjunto, por meio de um só dispositivo. Esta integração de equipamentos e sistemas pode ser realizada pela automação, e já é uma realidade em países da Europa e nos Estados Unidos.

No Brasil, indústrias e outras empresas também já utilizam os sistemas de automação desde a década de 1970, para controlar máquinas e sistemas inteiros de produção ou gerenciar estoques, entre outras funções. Há cerca de dez anos, a automação começou a ser implantada também em casas, apartamentos e estabelecimentos comerciais de todo o País.


Diversidade de soluções

Como o próprio nome revela, automação residencial diz respeito à automatização ou integração de equipamentos domésticos que vão desde home theaters, persianas e portões elétricos até sistemas de ar-condicionado, iluminação e irrigação. De acordo com Reinaldo Lopes, professor de Engenharia Elétrica da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), equipamentos integrados são aqueles programados (por pessoas ou por meio de tecnologias específicas) para executar ações de acordo com as necessidades do ambiente. “É importante não confundir o conceito de aparelhos automatizados com o de equipamentos automáticos, os quais são acionados apenas pelo horário ou por um sensor de presença”, adverte Lopes.

Um imóvel automatizado possui, por exemplo, uma rede de eletrodutos especial que visa a distribuição inteligente das mídias. Esta estrutura permite a formação das redes de computadores residenciais (Home Network) e escritórios domésticos (Home Offices).

Apertando um botão é possível mudar a iluminação de uma sala, ligar o aparelho de DVD e ajustar o volume da televisão

Os sistemas automatizados admitem inúmeras possibilidades de integração e permitem ao usuário controlar à distância uma série de comandos. Apertando um botão é possível, por exemplo, mudar a iluminação de uma sala, ligar o aparelho de DVD e ajustar o volume da televisão. A automação residencial também permite distribuir de maneira adequada pontos de acesso para Internet banda larga, sinais de TV a cabo e telefonia fixa, bem como simular a presença de pessoas mesmo quando não há ninguém na residência. Inclusive já existem sistemas que possibilitam acionar estes controles mesmo quando se está longe de casa, via celular ou telefone fixo.

Assim, praticamente todos os equipamentos de uma casa ou de estabelecimentos comerciais podem ser integrados, a partir de um software compatível com as funções que se deseja automatizar. “É possível integrar até um chuveiro ou banheira, mas é importante considerar qual é a real necessidade e o custo associado a esta integração”, aconselha Thales Cavalcanti, diretor-executivo da Aureside – Associação Brasileira de Automação Residencial e proprietário da empresa Techdomus, especializada em projetos para este segmento.

Thales Cavalcanti, da Aureside “É importante considerar a real necessidade e o custo da integração”  


Mercado em expansão

Com o desenvolvimento contínuo das tecnologias de automação residencial, algumas funções antes consideradas impossíveis agora já são realidade. Para Rubens Augusto Romano, proprietário da Automatic House – empresa especializada em automação residencial –, o que antes era visto apenas como recurso de luxo, tendo a comodidade como maior benefício para o usuário, hoje ganhou valor por atender certos conceitos sociais, como mobilidade e sustentabilidade (veja box). “No passado, a automação era acessível apenas para uma pequena parcela da população. Porém, com o desenvolvimento das tecnologias nacionais, os preços para automatizar residências se tornaram mais competitivos, e os projetos passaram a atender um público maior de consumidores”, esclarece Romano.

Atualmente, a procura por soluções de automação, principalmente por sistemas de iluminação e segurança, tem aumentado gradualmente. De acordo com uma pesquisa realizada pela Aureside, no período de 2007—2009 houve aumento de aproximadamente 40% nos projetos de automação residencial realizados no País. Isto se deve não só pelos custos mais acessíveis, mas também pela economia e garantia de maior segurança que estas tecnologias proporcionam. Segundo José Roberto Muratori, membro fundador e conselheiro da Aureside e proprietário da empresa Marbie de Automação Residencial, redução de custos e melhor aproveitamento dos equipamentos são benefícios obtidos quase que imediatamente com a integração de sistemas como os de iluminação e irrigação. “Adquirindo apenas sistemas isolados, o usuário pode ter desperdício de energia ou água, o que não acontece com equipamentos integrados”, justifica Muratori. “Acredito que a racionalidade é um dos objetivos mais importantes da integração”, ressalta.

O que antes era visto como recurso de luxo hoje ganhou valor, por atender conceitos sociais como mobilidade e sustentabilidade

A busca por maior segurança também está fazendo muitas pessoas optarem por sistemas automatizados. Com a integração, é possível monitorar áreas de acesso restrito e até programar sistemas de travamento de portas conforme alguma movimentação incomum é detectada. “No campo da segurança, outros recursos disponíveis são o envio de mensagem de texto para um ou mais celulares, avisando que a casa está sendo invadida”, acrescenta Romano, da Automatic House. Ele lembra que tanto as funções quanto o número de recursos de automação instalados podem variar de acordo com as necessidades de cada projeto.


Etapas fundamentais

É fato que as soluções em automação residencial estão cada vez mais inovadoras. Com isso, a tendência atual será o aparecimento de um maior número de imóveis já preparados para receber projetos de automação. “Diversas construtoras já têm lançado empreendimentos com infraestrutura pronta para a instalação de sistemas de integração, o que reduz custos e tempo de implantação por eliminar a necessidade de intervenções posteriores no imóvel”, informa Muratori.

Mesmo com a implantação de sistemas de automação residencial é preciso continuar respeitando as normas de circuitos elétricos

José Roberto Muratori, da Aureside: “O desafio de implantar um projeto de automação eficiente, sem que os custos relacionados às áreas civil e elétrica sejam proibitivos, é maior em um estabelecimento já construído”

Para se obter soluções adequadas e altamente eficientes, é fundamental trabalhar com produtos e fornecedores confiáveis. Contudo, o sucesso de um sistema de automação residencial depende de outros fatores: além dos componentes de qualidade, é necessário também fazer um planejamento detalhado de toda a instalação.

O proprietário da Automatic House ensina que é imprescindível conversar com os proprietários do estabelecimento ou residência para entender o que eles esperam da integração dos sistemas. As diferentes faixas etárias das pessoas que convivem numa residência ou numa empresa, assim como as possíveis necessidades específicas de acessibilidade, por exemplo, devem ser consideradas já na fase do planejamento. “É importante que o integrador capte todas as informações e detalhes, pois assim ele poderá propor soluções inteligentes e adequadas para seu cliente”, explica Romano. Cavalcanti, diretor-executivo da Aureside, acrescenta que as soluções padronizadas geralmente não conseguem atender tudo o que o usuário deseja, por isso esta primeira fase de entrevistas é essencial para garantir um projeto consistente.

Muratori explica que o próximo passo é identificar qual a situação do imóvel, se está na fase de projeto, em construção ou já pronto – pois isto ajudará a definir o melhor procedimento de instalação a ser adotado. “O desafio de implantar um projeto de automação eficiente, sem que os custos relacionados às áreas civil e elétrica sejam proibitivos, é maior em um estabelecimento já construído, pois neste caso o número de intervenções necessárias também será superior”, destaca o conselheiro da Aureside.

Após a fase de análise e planejamento, as intervenções necessárias são executadas e o quadro de automação já pode então ser instalado. Neste momento, as integrações concebidas durante o projeto são postas em prática, e posteriormente o trabalho é concluído com a programação dos equipamentos.


O que muda

Como vimos, projeto e planejamento bem detalhados são fundamentais para que o sistema de automação se mostre eficiente e confiável por muitos anos. Mas os serviços de instalação dos sistemas e dos circuitos, bem como a programação dos equipamentos de automação e seus controles, também merecem máxima atenção.

Com o objetivo de contribuir para a boa qualificação dos profissionais que desejam atuar nesta área, a Aureside desenvolveu um curso que certifica Integradores de Sistemas Residenciais – profissionais responsáveis pela instalação, programação e também pelo projeto de sistemas automatizados (veja segundo box).

Segundo Lopes, professor de engenharia elétrica da FEI, é necessário que o integrador possua conhecimentos aprofundados nas áreas de elétrica e de informática, pois ele será o responsável pela integração dos equipamentos, bem como por sua adequação aos sistemas elétrico, de informática e de telecomunicações existentes na área do projeto.

Mas atenção: o proprietário da Automatic House adverte que, mesmo com a implantação de sistemas de automação, é preciso continuar respeitando as normas técnicas aplicáveis aos circuitos elétricos. “Sistemas de proteção de rede, disjuntor e dispositivo DR, entre outros componentes de segurança, devem continuar existindo no projeto”, explica Romano. “O que muda é a forma como os equipamentos serão acionados”, complementa ele.

Projeto e planejamento bem detalhados são fundamentais para que o sistema de automação se mostre eficiente e confiável por muitos anos

Construtoras já estão projetando imóveis preparados para receber sistemas de automação residencial

Um equipamento de ar-condicionado, por exemplo, deverá continuar atendendo à norma que determina que deve existir um circuito elétrico independente para alimentá-lo. O que acontece é que o acionamento deste aparelho passará a ser feito por um dispositivo que controla vários equipamentos ao mesmo tempo, em substituição ao seu controle remoto original. Para circuitos de cabeamento estruturado em automação residencial é aplicada a norma TIA 570-b, desenvolvida pela Telecommunications Industry Association – TIA (do inglês, Associação das Indústrias de Telecomunicação); já as instalações elétricas devem atender à NBR 5410.


Instalação segura

Em relação ao sistema de cabeamento, os projetos de automação residencial costumam reunir no mesmo circuito tanto os cabos de energia quanto os cabos de comando, de seção menor, que são os responsáveis pela transmissão dos dados que determinam os acionamentos, desligamentos e controles dos dispositivos que fazem parte do sistema de automação. Muratori explica que os cabos de potência utilizados são os mesmos já empregados atualmente nas melhores instalações elétricas. O que muda é apenas a forma como eles são distribuídos pela edificação. Caso o imóvel já esteja pronto ou em fase de construção, poderá ser preciso alterar parcialmente o circuito. “Com a implantação da automação passamos a trabalhar com uma topologia mais centralizada, onde o módulo inteligente receberá todas as informações dos equipamentos que serão controlados”, aponta o conselheiro da Aureside.

Da mesma forma que nos circuitos elétricos, os cabos empregados em um projeto automatizado (tanto os de potência quanto os de comando) devem seguir as normas vigentes e apresentar alta qualidade para garantir o bom funcionamento do sistema, evitando contratempos e prejuízos com retrabalhos no futuro. Em instalações de automação, a Prysmian recomenda o uso dos cabos de energia da família Afumex Plus. Fabricados com tecnologia livre de halogênio na camada isolante, estes cabos LSOH emitem até 10 vezes menos fumaça opaca e gases tóxicos, e praticamente nenhum gás corrosivo. Protegendo vidas e o patrimônio em caso de incêndio, os cabos Afumex Plus representam mais segurança para os usuários e uma tranquilidade a mais para os sistemas de automação.

Conheça outros benefícios da automação residencial

Rubens Augusto Romano, da Automatic House: “Conservar o meio ambiente ficou mais fácil graças à automação residencial”

Além de praticidade, economia e segurança, a automação residencial também pode oferecer outras vantagens importantes, como melhorar a acessibilidade de uma edificação e colaborar para a preservação do meio ambiente. Com as tecnologias disponíveis nos dias atuais, é possível desenvolver projetos com foco nas necessidades e no conforto de pessoas idosas ou com deficiência física, facilitando a locomoção nas edificações.

Diante da necessidade de preservar os recursos naturais, novos sistemas de integração foram criados para ajudar a controlar o consumo de água e energia elétrica em casas, edifícios e empresas. Segundo Rubens Augusto Romano, proprietário da Automatic House, por meio da automação é possível obter o máximo aproveitamento da energia fotovoltaica (sistemas de aquecimento solar) e programar o acionamento de luzes somente para quando a iluminação natural for insuficiente. “Conservar o meio ambiente se tornou mais fácil graças à automação residencial; podemos instalar sistemas para captação e aproveitamento da água da chuva e monitorar a irrigação de um jardim em função da umidade do solo, reduzindo desperdícios”, destaca.


Transforme-se em um integrador

A Aureside – Associação Brasileira de Automação Residencial oferece cursos de formação para projetistas, instaladores eletricistas e demais profissionais do setor elétrico que queiram se especializar na área de automação residencial. O curso, que certifica profissionais como Integradores de Sistemas Residenciais, tem carga horária de 40 horas e ocorre a cada dois meses. A estrutura do programa é composta por aulas teóricas e demonstrações práticas. Saiba como participar acessando o site www.aureside.org.br



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